• Sitio en búsqueda permanente de alertas
  • Alertas Latentes

    Criminalización: Mujer es procesada por supuesto aborto autoadministrado

    Jutiapa, Guatemala Detalles

      El pasado 1 de abril, una mujer de 26 años fue detenida bajo el supuesto de haberse realizado un “aborto premeditado”.

  • Alertas Latentes

    Embarazos no deseados por falla en anticonceptivos entregados en Centros de Salud Pública

    Santiago, Chile Detalles

      En el contexto de la Pandemia, durante el periodo de agosto a octubre del año 2020, se notifican anticonceptivos defectuosos en centros de salud pública en Chile a través del Instituto de Salud Pública (ISP) en su página web, sin mayor masificación ni aviso directamente a las afectadas. Esto provocó mas de 100 embarazos no deseados, de los que el estado no se ha hecho cargo y tampoco ha dado soluciones.

  • Avance

    Por uma Punição Exemplar.

    , Brasil Detalles

      Deputados da Assembleia de SP acabam de decidir POR UNANIMIDADE que ernando Cury não vai poder tirar 'férias' de 119 dias. Ele vai perder o mandato por 6 meses.  É a primeira vez na história do Brasil que um deputado recebe uma punição por importunação sexual.  

  • En Campaña

    Nota Pública contrária ao PL 5435/2020 — o “Estatuto da Gestante”

    , Brasil Detalles

      La Rede Médica Pelo Direitos de Decidir presenta nota pública contrária ao PL 5435/2020 — o “Estatuto da Gestante” ​​​​​por ser "um estelionato dos direitos sexuais e reprodutivos de mulheres e meninas brasileiras, mais uma tentativa misógina do Poder Legislativo em impor o polêmico “Estatuto do Nascituro” à sociedade brasileira. Um verdadeiro retrocesso dos direitos humanos fundamentais no país". 

  • Alertas Latentes

    Crean Comité Técnico para la Protección de la Vida y la Institucionalidad de la Familia

    Presidencia de la República de Guatemala, Guatemala Detalles

      El 16 de marzo de 2021 se creó el Comité técnico que busca “proteger la vida y la institucionalidad de la familia”. El mismo dependerá de la Presidencia de Alejandro Giammattei y ofrecerá asesoría integral para la propuesta de la política pública de protección a la vida.

      Diversas organizaciones denuncian la amenza que esto supone para la garantía de los derechos humanos de mujeres y niñas. 

  • En Campaña

    Mujeres en resistencia contra la prohibición absoluta del aborto

    Santo Domingo, República Dominicana Detalles

      Compañeras de República Dominicana estan en resistencia. Montaron un campamento frente al Palacio Nacional frente a la insisitencia del Congreso de aprobar un Código Penal penalizando el aborto en todas sus circunstancias. Piden al menos las 3 causales.

  • Avance

    Congreso aprobó Ley para prevenir y sancionar el acoso político contra la mujer

    Cercado de Lima, Perú Detalles

      Con 96 votos a favor, 1 en contra y 9 abstenciones se aprobó el texto sustitutorio. La iniciativa legal fue presentada en el 2016 y modificada durante el Pleno Mujer del 8 de marzo de 2021. 

  • Alertas Latentes

    Denuncian acoso sexual y violencia verbal en Cancillería.

    Montevideo Departamento de Montevideo, Uruguay Detalles

      65 Diplomáticas, entregaron el 8 de marzo a la Viceministra Carolina Ache una carta donde relataron y denunciaron una serie de situaciones de violencia, acoso sexual y verbal y discrminación por su condición de género. 

  • Alertas Latentes

    Brasil se nega a assinar declaração que marca dia internacional da mulher na ONU

    , Brasil Detalles

      No dia 08/03, em ato organizado por praticamente todas as democracias do mundo, na
      46ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, Brasil se nega a assinar declaração que marca a data, porque essa remetia à saúde, aos direitos sexuais e aos
      direitos reprodutivos.

  • Alertas Latentes

    Aumento de casos de criminalización de mujeres y niñas por el delito de aborto

    , Colombia Detalles

      En los últimos años en Colombia aumentaron los casos de criminalización por aborto: hubo un crecimiento de las denuncias, persecución activa del delito de aborto por parte del ente acusador y más eficiencia en el proceso penal resultando en un incremento de condenas de mujeres y niñas. 

  • Alertas Latentes

    Débora Diniz é novamente alvo de perseguição, desta vez por fake news bolsonarista.

    , Brasil Detalles

      Antropóloga, professosa da Universidade de Brasília, que vive fora do Brasil por
      perseguição à sua defesa dos DS e DR, teve um post em que se referia à agenda
      do presidente Bolsonaro no Congresso Nacional descontextualizada por veículos
      de imprensa, além de compartilhado pelo presidente em sua conta do twitter. O
      conteúdo diz que Débora Diniz acusa Bolsonaro de perseguir pedófilos. Desde a
      sua propagação, ela voltou a ser alvo de discurso de ódio e ameças de morte nas
      redes sociais.

  • Alertas Latentes

    Todes contra o PL 5435/20. Estatuto da Gestante é denunciado como armadilha para retirada de direito

    Brasília - Distrito Federal, Brasil Detalles

      Senador apresenta projeto de lei que em nome de proteger a gestação, traz embutido uma série de retrocessos aos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos. Há grande reação dos movimentos e sociedade.

  • En Campaña

    Carro de som divulga informações sobre direito ao aborto e saúde reprodutiva no contexto da covid-19

    Río Grande del Sur, Brasil Detalles

      Campanha em defesa da saúde, direitos sexuais e direitos reprodutivos, promovida pela Frente pela Legalização do Aborto em Porto Alegre/RS, coloca nas ruas mensagens de orientação para toda a população.

  • En Campaña

    Organizações feministas ampliam canais com informações seguras sobre Saúde, DSR

    , Brasil Detalles

      No mês de março, é lançada uma iniciativa da Frente Contra a Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto – Rio Grande do Sul, para a ofertar o canal seguro de informação: Mulheres, o que querem saber sobre aborto?. 

  • Alertas Latentes

    Pastora, entre outras lideranças cristãs, sofre ameaças após definição da Campanha da Fraternidade

    , Brasil Detalles

      Pastora Romi Bencke, secretaria executiva do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do
      Brasil – CONIC, está sendo ameaçada, a partir da divulgação do tema da Campanha da
      Fraternidade de 2021.

  • Caso Emblemático

    Campanha de igrejas cristãs do Brasil faz defesa inédita e explícita em favor da população LGBT

    , Brasil Detalles

      Campanha ecumênica que se posiciona contra violência à população lgbt, negra, mulheres, polemiza junto a comunidade cristã brasileira.

  • En Campaña

    Historias Que Nos Cambian

    San Salvador, El Salvador Detalles

      ¿Qué hacemos cuando quienes nos tendrían que proteger son quienes más nos violentan? ¿Cuando el Estado atenta contra nuestros Derechos Humanos? ¿Cuando nos obligan a parir, ponen en riesgo nuestra vida, nos encarcelan sin razón o nos esterilizan en contra de nuestra voluntad? El caso de Ximena en Colombia, el de Paulina en México, el de Grettel en Costa Rica, el de Amelia en Nicaragua, el de María en Perú, el de Alyne Da Silva en Brasil o el de Beatriz en El Salvador son algunas de las #HistoriasQueNosCambian.

  • Alertas Latentes

    Operación Don Quijote desmantela red de trata de personas

    , Uruguay Detalles

      La operación desbarató una red de trata de personas que operaba en Uruguay y España. Las “decenas” de víctimas de esta organización eran retenidas en España “en régimen de esclavitud”, según la fiscal Lovesio.

  • Alertas Latentes

    Discurso da ministra Damares na ONU: mentiras a favor da vida desde a concepção.

    , Brasil Detalles

      Em discurso de abertura no segmento de alto nível do Conselho de Direitos Humanos da ONU, representantes do governo brasileiro (o ministro da relações exteriores e a ministra da mulher, família e direitos humanos), são acusados de mentir e omitir sobre a realidade brasileira e o papel do governo ao qual estão integrandos. A ministra reforçou a defesa da família e do direito à vida desde a concepção, num claro contraponto aos Direitos Humanos, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos.

  • Alertas Latentes

    Católicas pelo Direito de Decidir responde a processo que visa impedir que usem a palavra católicas

    Estado de São Paulo, Brasil Detalles

      Organização de ultraconservadores católicos, o Centro Dom Bosco Fé e Cultura, entrou, em 2018, com processo junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo, para impedir que Católicas pelo Direito de Decidir utilizem a palavra católicas no nome. CDD apelou de decisão da 2ª instancia, que favoreceu o Centro. O processo está em fase de decisão se seguirá ou não para instâncias superiores (STJ e STF).

  • Alertas Latentes

    Ley escudo contra el aborto

    Tegucigalpa, Honduras Detalles

      El Congreso Nacional de Honduras aprobó una reforma de la Constitución que busca blindar la prohibición absoluta del aborto que ya existe en el país.

  • Avance

    El aborto legal y seguro es ley

    , Argentina Detalles

      El 30 de diciembre de 2020 Argentina se convirtió en un país un poco más justo. Tras una sesión de casi doce horas, el Senado aprobó la Ley de Interrupción Voluntaria del Embarazo, un reclamo histórico de los movimientos feministas y un avance en términos de ampliación de derechos para todas las personas.

  • Caso Emblemático

    Deputado acusado de assédio sexual tem pena inédita, mas questionada por ser branda.

    Estado de São Paulo, Brasil Detalles

      Deputado Fernando Cury (Cidadania), da Assembléia Legislativa de São Paulo – ALESP, assedia Deputada Isa Penna (PSOL), em plenário. O caso está em processo de julgamento pela casa, com grande repercussão nacional.

  • En Campaña

    Campaña: 48 horas para encontrarte

    , Perú Detalles

      Mujeres, activistas y feministas demandan al Estado peruano una respuesta inmediata ante las alarmantes estadísticas de mujeres desaparecidas con la campaña “48 horas para encontrarte”.

  • Alertas Latentes

    Muere adolescente luego de realizarse un aborto en el marco de la ley IVE

    Santa Clara De Olimar Treinta y Tres, Uruguay Detalles

      La adolescente murió una semana después de realizarse el aborto en el hospital del Departamento de Treinta y Tres. La causa de muerte fue septicemia (infección generalizada). Desde el directorio de la Adminsitración Nacional de Servicios del Estado (ASSE) informaron que fueron sumariados, con suspensión del cargo y retención de haberes cuatro médicos. 

  • En Campaña

    Manifiesto por los Derechos y la Vida de las Mujeres en República Dominicana

    Santo Domingo, República Dominicana Detalles

      Manifiesto por los Derechos y la Vida de las Mujeres en República Dominicana: Ante una confabulación de los poderes del estado contra la vida, la salud y la dignidad de las mujeres. 

       

  • Alertas Latentes

    Graves retrocesos en materia de derechos sexuales y reproductivos

    Santo Domingo, República Dominicana Detalles
  • Alertas Latentes

    Aborto e gravidez de risco são causas de mortes de meninas vítimas de violência sexual.

    , Brasil Detalles

      Inexistência/Ineficácia de políticas de enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, que apresentaram aumento no período de pandemia, levam à revitimização por parte do Estado, e em muitos casos à morte. Destaque para os casos que violência sexual contra meninas que perderam a vida por mortalidade materna. 

  • Caso Emblemático

    Jornalista vítima de violência sexual tem caso arquivado por falta de investigação

    , Brasilía Detalles

      Acusação de violência sexual, que criou reviravolta total em vida de jornalista, é arquivada por falta investigação e tratamento superficial dos organismos de segurança pública e de justiça.

  • Alertas Latentes

    Governo Federal emite portarias para restringir acesso ao aborto legal

    , Brasil Detalles

      Governo Federal do Brasil, em reação a ação que garantiu o direito ao aborto de garota de 10 anos do Espírito Santo, lança portaria para restringir o acesso ao aborto legal no país. Diante da reação da sociedade, apresenta portaria substituta, que mantém a obrigação de profissional de saúde fazer a denúncia criminal nos casos de violência sexual. Reação da sociedade se mantém, assim como estão em andamento processos de que pedem a revogação da portaria, na Justiça e no Parlamento.

  • Alertas Latentes

    No se incluyen las tres causales de aborto en la discusión del nuevo Código Penal

    , República Dominicana Detalles

      La Coalición por la Vida y los Derechos de las Mujeres, conformada por más de 80 instituciones, y el Foro Feminista demandan la despenalización del aborto en las tres causales en el Código Penal y rechazan que las tres causales se envíen a una supuesta ley especial.

  • Caso Emblemático

    Campaña de oposición a proceso Manuela en Corte IDH

    , El Salvador Detalles

      Campaña de ataques contra el caso Manuela presentado ante la CIDH.

  • Alertas Latentes

    Perú, país de violadores

    , Perú Detalles

      Más de 8700 mujeres fueron víctimas de violencia sexual entre enero y octubre de este año y, en menos de un mes, hubo cuatro violaciones colectivas (en Lima, Ica, Cusco y Ayacucho).

Alerta Feminista en defensa de la descriminalización del aborto

Rio de Janeiro, Brasil
Alertas Latentes
Última Actualización: 26-02-2021
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  • Tipo de Alerta Alertas Latentes
  • Fuente Redes feministas
  • Fecha de la alerta25-09-2020
  • Comunidad vulnerada Mujeres

Descripción

Por SOS Corpo, na coluna Baderna Feminista. Publicado tamben en el Boletín Boca a Boca

A luta por direito foi e é a luta para instalar direitos ou desmontar privilégios. O estado moderno, no seu arcabouço jurídico-político expressa a correlação de forças em dado momento conjuntural e define quem tem direito, quais são estes direitos e quem decide quem tem tais direitos. Portanto muitos segmentos e lutas populares conflitam-se com as leis vigentes nos estados modernos. Com a luta feminista não é diferente, seja a luta sufragista seja a luta pela legalização do aborto. As mulheres mantém-se há muitos séculos em conflito com a lei punitiva desta prática milenar, tão presente na vida das mulheres quanto a gravidez, o parto e a amamentação.

O silêncio ou omissão ao tema da legalização do aborto expressa como os direitos sexuais e reprodutivos continuam não sendo parte do programa eleitoral de partidos e candidaturas diversas. Mas, foi prática recorrente denunciada por anos, a troca de votos por ligadura de trompas em período eleitoral e nas eleições de 2018, muitas fake news usaram e abusaram de temas da sexualidade e aborto.

Frequentemente a criminalização do aborto é mais usada pela direita, e agora a ultradireita fundamentalista, com fins de representar a candidatura como moralmente idôneo, temente a Deus, defensor da família e da tradição. É o feminismo que reponde apontando a hipocrisia de muitos/as parlamentares terem casos de aborto nas suas próprias famílias, às vezes para manter as boas aparências das mesmas. Para candidaturas à esquerda, afirmar o direito à autonomia das mulheres ou autodeterminação sobre a reprodução, ou ainda, tomar o aborto como questão de foro íntimo, é sempre risco de linchamento em debates e campanhas adversárias. Nas eleições passadas, qualquer tema controverso ficou associado à ideologia marxista de esquerda, tornando bem-sucedida o estratagema de retirar votos da centro-esquerda progressistas e puxar setores para o discurso reacionário em termos morais.

Em 2020, percebe-se que a luta pelo direito ao aborto instala importante possibilidade de conflito progressista no contexto pré-eleitoral, e isto por força dos casos recentes de tentativa de bloquear o atendimento público aos casos hoje previstos em lei. O debate está posto. Em 28 de setembro, Dia Latino-americano e Caribenho de Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto, comemora-se, desde 1990, a resistência e luta feminista em torno deste objetivo. Instituída no Encontro Feminista Latino-americano e do Caribe realizado na Argentina naquele ano, a data é marcada pela ação das mulheres em por protestos, denúncias, entrevistas, ações nas ruas e nas redes sociais.

Este ano no Brasil, o debate e as disputas jurídico-políticas em torno dos serviços de aborto legal ocupam a pauta desde o mês de agosto, quando do caso de uma criança, grávida por estupro cometido pelo tio. A criança foi impedida de receber atendimento no seu estado, o que gerou uma complexa operação interinstitucional para garantir seu direito legal, que só foi possível com a transferência da criança, acompanhada de sua avó, ao Recife, cidade onde um serviço hospitalar universitário realizou o procedimento. A operação articulou Ministérios Públicos, Secretarias de Saúde, Defensorias Públicas e Conselhos Profissionais sem, entretanto, desvelar o quanto o conflito está instalado nos próprios serviços, dada a presença e intervenção crescente de profissionais de saúde comprometidos com a perspectiva religiosa fundamentalista que atua para impedir o aborto em quaisquer circunstâncias. O episódio envolveu até o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que enviou ao Espírito Santo uma equipe de assessores que, segundo denúncias, pressionou a família para que ela recuasse da busca pelo direito ao aborto para a menina. O conflito envolveu as famílias, a vítima do estupro, lideranças religiosas, imprensa, juízes, promotores/as, médicos, enfermeiras, influenciadoras/es digitais, demonstrando como a política de criminalização do aborto impacta negativamente a vida das mulheres.

Ainda em agosto, o Ministério da Saúde decretou a portaria nº 2.282/2020, que foi lida por segmentos do feminismo e outros setores da sociedade como uma retaliação ao direito garantido no caso da menina do Espírito Santo, mas, também, como continuidade da nova estratégia de criminalização total do aborto no Brasil: os ataques aos serviços de aborto legal. Estes serviços são, na realidade, serviços de atenção às mulheres vítimas de violência, o que inclui a violência sexual e, portanto, a possibilidade de aborto legal prevista em lei desde 1940. Ocorre que pela via legislativa e judiciária, o feminismo angariou ampla solidariedade contra o desmonte dos direitos ao aborto hoje existentes no Brasil (quando existe risco de vida da pessoa gestante, por estupro e em casos de feto anencéfalo).

Desde o Fora Cunha (2015) e a Campanha contra o Estatuto do Nascituro (“Estuprador não é pai”), diferentes bancadas no Congresso viram-se às voltas com este conflito e a vitória reacionária demonstrou o absurdo: a sociedade e a maior parte de homens e mulheres parlamentares nas comissões e subcomissões não fecham acordo. Há resistência de avançar contra uma possibilidade para as mulheres que, nestas situações, têm na interrupção voluntária da gravidez, a única possibilidade de livrar-se de um sofrimento ou risco iminente de morte. Antepor a vida das mulheres ao feto ainda em formação em seu corpo é inaceitável para muita gente. Mas para nós, trata-se dos não nascidos estarem acima das mulheres já nascidas, vivas e muitas já exercendo a maternidade. Trata-se, nitidamente, de desconhecer a humanidade de nós mulheres e reconhecendo vida onde ela ainda não é possível de ser sustentada por si só, fora do corpo que engravidou.

Mas, nem o aborto por estupro, nem o aborto nos outros dois casos previstos no Brasil, são os únicos onde a maternidade é impossível. Para a maioria das mulheres que se veem às voltas com uma gravidez indesejada, manter esta gravidez é motivo de grande dor e sofrimento, pela impossibilidade de desenvolverem vínculo materno e exercer a maternagem durante a gestação, ela mesma, objeto de repulsa.

São múltiplas as situações pelas quais as mulheres abortam: por serem muitos jovens ou muito velhas (questão de saúde e momento do seu próprio ciclo de vida), por estarem desempregadas ou em novo trabalho (problema do mercado de trabalho), por serem muito pobres (questão da concentração ou desigualdade de renda), por trabalharem demais e não sobrar tempo para conviver com os filhos que já têm (questão da sobrecarga, dupla jornada e superexploração), por não terem com quem deixá-los (pela falta de creches e outras políticas, pela não partilha dos cuidados pelos companheiros e familiares próximos), por razões morais (culpa, para proteger relação fora do casamento ou com homem casado, ou proteger uma autoridade masculina – da comunidade, da religião, da política, com a qual se envolveu e da qual engravidou), por vergonha de ir à escola grávida e, não menos importante, por não ter acesso e conhecimento às formas de contracepção ou porque, simplesmente, o método de contracepção falhou (todos eles falham, com diferentes taxas indicadas nas bulas, mas, essa circunstância, nunca é lembrada pelos profissionais, nos serviços de planejamento reprodutivo. Quantas sabem que o uso de antibiótico pode inibir e fazer falhar a pílula?).

É por estas e outras que a luta pelo direito ao aborto tem centralidade na luta feminista por transformação social. A maternidade, para ser livremente eleita pelas mulheres, impõe mais do que mudanças legais. Exige transformação nas jornadas de trabalho, na proteção social, no lugar para as crianças na vida de adultos e comunidades, outros tempos de convívio doméstico e familiar nos territórios do viver. Envolve ainda, outra compreensão do lugar das mulheres no mundo, superando a identidade de mulher como destino e construindo outra divisão sexual, racial e social do trabalho. Envolve, enfim, a conquista e luta por justiça reprodutiva, condições de ter e criar filhos/as e vê-los/as crescer e sobreviver com futuro.

Nas últimas semanas, dezenas de manifestações públicas foram feitas por diferentes setores e, no caso da Portaria 2.282 do Ministério da Saúde, além de notas, iniciativas de judicialização foram tomadas como, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) com Pedido de Liminar apresentada ao Superior Tribunal Federal (STF) pelo PT, PCdoB, PSB, PSOL e PDT; a Ação Direta de Inconstitucionalidade com medida liminar, apresentada ao STF pelo Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS); a Ação Civil Pública contra a União Federal, apresentada pela Defensoria Pública da União juntamente às Defensorias Públicas estaduais de 10 estados e do Distrito Federal.

As mobilizações contra a Portaria também chegaram ao Congresso Nacional, a exemplo da nota de repúdio assinada por 333 organizações da sociedade civil e 16 apoiadores institucionais, entregue ao presidente da Câmara dos Deputados. Também se posicionaram pedindo a revogação da portaria, a Comissão Nacional Especializada de Violência Sexual e Interrupção Gestacional Prevista em Lei da FEBRASGO; a Rede Médica pelo Direito de Decidir (Global Doctors for Choice/Brasil); e a Frente Nacional contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto. A polêmica em torno da Portaria do Ministério Público também repercutiu na mídia comercial e alternativa.

Toda esta movimentação de organizações da sociedade civil ganha grandes proporções com a denúncia coletiva que será lançada com o Alerta Feminista. Documento elaborado por várias organizações e coletivos que compõem a Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, o Alerta foi um mecanismo articulado pelo movimento feminista brasileiro desde 2017, ano em que se intensificaram os ataques aos direitos reprodutivos das mulheres. Naquele ano, o Projeto de Lei 5.069/2013 previa a ampliação da tipificação do crime de aborto e retrocedia nos direitos adquiridos sobre atendimento às vítimas de violência sexual. O Alerta Feminista foi lançado também em 2019, quando o Projeto de Emenda Constitucional 181, que institui o direito à vida desde a concepção em detrimento à vida da pessoa gestante, entrou em tramitação no Congresso. Em 2020, o Alerta Feminista vem denunciar o aprofundamento do machismo institucionalizado nos poderes Executivo e Legislativo, com a ampliação de políticas de morte contra as mulheres, principalmente as negras e periféricas, e a população mais fragilizada.

Aberto para adesão de movimentos e organizações aliadas da luta pelos direitos das mulheres, o Alerta Feminista deste ano já conta com 120 organizações signatárias, número que deve se alargar significativamente até o dia 28 de setembro, dia que marca a Luta pela Descriminalização e Legalização do Aborto em todo o país e na América Latina. Estão previstos para acontecer em diferentes cidades brasileiras mobilizações nas ruas e um grande ato nas redes que denuncia todo o contexto aqui relatado. Por todo território nacional e diversos âmbitos de ação política em favor de direitos, estas organizações e partidos estarão às voltas com a complexidade dos processos políticos no governo da ultradireita neoliberal no país, o que pode dificultar a revogação da Portaria.

Alerta Feminista:

Ao mesmo tempo em que vimos o apoio massivo ao direito da menina de São Mateus (ES) em realizar o procedimento do aborto legal, ficam os questionamentos se este apoio seguirá também para outros casos de aborto e se o movimento feminista brasileiro poderá ter também aliados no contexto das eleições municipais que se avizinham e que devem ter muita resistência do campo popular, mas também, pressão da política bolsonarista conservadora. Com as eleições municipais, ampliam-se os riscos de enraizamento da estratégia de bloqueio do debate sobre educação sexual nas escolas, sobretudo com o avanço da aplicação do projeto Escola Sem Partido, já aprovado em diversos estados brasileiros, através dos Planos Estaduais e Municipais de Educação. A este risco agrega-se ainda o bloqueio aos serviços de planejamento reprodutivo, uma vez que a Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos propõe, no lugar de políticas de planejamento e contracepção, uma campanha por abstinência sexual para adolescentes e jovens, desconsiderando que a maioria dos partos decorrentes de gravidez infantil resultam de estupro.

Este cenário, portanto, responsabiliza as meninas e adolescentes pela gestação, desobrigando o Estado, a família e a escola de ofertar educação sexual e reprodutiva e métodos de prevenção e contracepção à gravidez, além de inviabilizar o acesso aos serviços de aborto legal. Toda a ação de planejamento reprodutivo, pré-natal, parto e aborto é realizada pelo sistema SUS. Parte da atenção básica acontece sob gestão municipal, com alguns serviços de maior complexidade na responsabilidade dos governos estaduais. Portanto, as eleições municipais num contexto de avanço de candidaturas de representantes das forças fundamentalistas, ancoradas na política de morte bolsonarista, se traduzem em um real risco à vida de meninas e adolescentes e uma ameaça à autodeterminação das mulheres e das pessoas que engravidam.

É certo que as eleições municipais deste ano serão um grande termômetro de como o aprofundamento do ideário neofascista está capilarizado no país. As políticas de morte, que têm transparecido num total escárnio, em diferentes dimensões de gênero, de raça e de classe na vida social, bem como na política de preservação ambiental, na saúde pública, no aumento dos conflitos no campo e nas florestas, representa um desafio para nós, que lutamos pela transformação da realidade que está posta. A luta pela legalização do aborto no Brasil e na defesa dos direitos das mulheres também estão nesse meio e não podem mais servir de moeda de troca nas eleições. Só conseguiremos enfrentar o contexto que se aproxima logo mais se nos mantermos em aliança na defesa da vida e da democracia.

En relación al Consenso de Montevideo

El Estado brasileño va en contra de las siguientes medidas del Conseso: 

Medida número 7: Garantizar a niños, niñas, adolescentes y jóvenes, sin ningún tipo de discriminación, las oportunidades para tener una vida libre de pobreza y de violencia, la protección y el ejercicio de derechos humanos, la disponibilidad de opciones, y el acceso a la salud, la educación y la protección social;

Medida número 14: Dar prioridad a prevenir el embarazo en la adolescencia y eliminar el aborto inseguro, mediante la educación integral para la sexualidad, y el acceso oportuno y confidencial a la información, asesoramiento, tecnologías y servicios de calidad, incluida la anticoncepción oral de emergencia sin receta y los condones femeninos y masculinos;

Medida número 33: Promover, proteger y garantizar la salud y los derechos sexuales y los derechos reproductivos para contribuir a la plena realización de las personas y a la justicia social en una sociedad libre de toda forma de discriminación y violencia;

Medida número 35: Revisar la legislación, las normas y prácticas que restringen el acceso a los servicios de salud sexual y salud reproductiva, incluida la provisión de servicios integrales amigables en el caso de adolescentes y jóvenes, y asegurar el acceso a la información completa sobre todas las opciones de servicios disponibles para todas las personas sin discriminación de ningún tipo, para asegurar que se cumplan en nuestra región los más altos estándares internacionales de protección a los derechos humanos y libertades fundamentales;

Medida número 42: Asegurar, en los casos en que el aborto es legal o está despenalizado en la legislación nacional, la existencia de servicios de aborto seguros y de calidad para las mujeres que cursan embarazos no deseados y no aceptados e instar a los demás Estados a considerar la posibilidad de modificar las leyes, normativas, estrategias y políticas públicas sobre la interrupción voluntaria del embarazo para salvaguardar la vida y la salud de mujeres y adolescentes, mejorando su calidad de vida y disminuyendo el número de abortos. 

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